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24.12.10

Rio no Mapa Entre-vistA :: Pedro Jardim, o ilustrador da capa da quarta edição do Rio no Mapa

O Pedro é novo, carioca e manda muito bem nos desenhos e ilustrações. A nova e florida capa do Rio no Mapa foi uma criação dele. Nós adoramos! e ficamos com vontade de conhecer mais. Por isso resolvimos entrevistá-lo aqui no blog, para compartilhar com todo mundo um pouco do mundo do Pedro Jardim.


RNM: Você tem apenas 21 anos, mas as suas ilustrações parecem bem maduras, há quanto tempo você desenha?
Pedro Jardim: Desde sempre, nas minhas memórias mais antigas eu já desenhava.

RNM: Quais foram e são as suas influências para a ilustração?
Pedro Jardim: Tenho meus artistas favoritos mas também gosto de procurar por novas influências, então estou sempre "descobrindo" algum artista, ilustrador ou designer que ainda não conhecia. E tento olhar para os seus trabalhos e ver o que eles tem de melhor seja o traço, cor, estilo, uso de tipografia, criatividade... Admiro muito o trabalho de Van Gogh, Saylor Jerry, Kandinsky, Antônio Parreiras, Herbert Bayer, Rembrant e também de uma galera mais atual como Jeremy Fish, Stefan Doitschinoff, Jeff Soto, Mottila (que já passou pela Galeria Circulante de Arte Carioca), Jotape, Shawn Barber, Os Gêmeos, Tara Mcpherson, Marcelo Daldoce, N`deur e Nicoletta Ceccoli.

RNM: Como o Rio inspira você para criar?
Pedro Jardim: Por mais que o Rio seja "A Cidade Maravilhosa", o que me chama mais a atenção são situações do dia-a-dia, um cara fala pro outro uma coisa engraçada na rua, alguém com uma roupa muito estranha, as diferenças das pessoas aqui, todo mundo convive com todo mundo, essas coisas dão um estalo e ai você faz o resto. O mais importante pra mim é observar. Muitas vezes fico horas encarando o papel/tela pensando, lembrando até começar mesmo. Outras vezes é mais rápido, quando vejo já foi.

RNM: Lapiz ou computador? o que curte mais?
Perdo Jardim: Desde que entrei na faculdade me envolvi muito com o computador, realmente ele te dá infinitas possibilidades. Mas uma coisa que eu gosto e não gosto é o Ctrl + Z (undo, voltar) as vezes te salva, mas você perde a oportunidade do erro, que na minha opinião é uma adrenalina e um desafio de superação e pode te levar a resultados inesperados. Sempre faço o traço à mão e depois levo pro computador, um cara que sabe administrar isso muito bem é o Lou Romano. Cada vez mais venho fazendo o máximo à mão no papel ou tela, com gouache, acrilica, pastel seco e faço uns retoques no computador.

RNM: Que projetos tem para o 2011?
Pedro Jardim: Terminar a minha faculdade, continuar trabalhando e depois fazer uma pós na School of Visual Arts de Nova York.

Obrigada Pedro! Um ótimo ano para você. Ficaremos de olho no seu trabalho pois temos certeza de que o seu Jardim vai florir muito!

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Para ver mais desenhos e ilustrações: www.pjardim.com
e para contatar-lo: pedro@pjardim.com

22.7.10

Rio no Mapa Entre-vistA :: Adriana Varella

Artista brasileira residente em Nova Iorque, Adriana Varella utiliza múltiplas mídias em suas obras, tais como instalação, vídeo, som, fotografia, desenho e escultura. Em seu trabalho, busca desafiar o imaginário ao usar intervenções, experimentações e buscar novas propostas. As obras inéditas de Adriana são inspiradas na idéia Trans (transição/translúcido/transgressão/transmutação/transversal), que contempla o homem e sua relação com o espaço público, seja ele urbano ou rural.

Até o 25 de Julho, a videoinstalação Trans pequenos esboços ocupa as paredes e chão da galeria do Oi Futuro Ipanema, em um clima imaginário de sonho.

Rio no Mapa convidou a Adriana para estreiar a nova seção Entre-vistA, que tem por objetivo conhecer os pontos de vista de pessoas criativas que se expressam a través da arte, em todas as formas.

(por Ana Schlimovich)

RNM: Você começou a trabalhar com imagem há 20 anos atrás, quando os recursos tecnológicos eram sumamente limitados. O que pode dizer sobre o pulo que deu a tecnologia no mundo e a influência que teve no seu trabalho? como modificou o mundo artístico o fato da tecnologia ser acessível para todo mundo?

Adriana Varella: Muito interessante esta pergunta. Há 20 anos os recursos tecnológicos eram mais limitados dos que hoje em dia sim, mas não tão limitados quanto nos tempos dos pioneiros (Nam June Paik, Wolf Vostell, Letícia Parente, Sonia Andrade, Fernando Cocchiarelle, Ivens Machado, e tantos outros). Estes sim, parecem que teriam que dividir uma única grande e pesada câmera e equipamentos realmente estranhos e totalmente desafiadores. Mas parece que se divertiam muito.

Na minha época os equipamentos eram caros e inaccessíveis para a grande a maioria, mas já eram formatos em médio e pequeno porte. O fato dos equipamentos e tecnologias agora estarem mais baratos e accessíveis, o surgimento da internet e de câmeras portáteis contribui para o fato de mais pessoas poderem desenvolver suas aptidões artísticas através destas mídias. Podemos ver então uma grande quantidade de ótimos artistas, propostas inovadoras e criativas, caminhos nunca imaginados. São varias e infinitas possibilidades brotando nos mais diferentes caminhos. Dessa maneira, o mito de que “todo mundo e um artista” começa a se tornar uma realidade e isso é maravilhoso.

RNM: Morar em outro país deve ter efeitos notáveis no seu trabalho, quais são? olhando um pouco de fora, um pouco de dentro, como ve na atualidade os processos artísticos no Brasil e na América Latina?

AV: Há 20 anos atrás podíamos fazer no Brasil muito mais que hoje em dia pelo visto. Outro dia espalhei um pôster com um projeto da Márcia X por toda NY de um trabalho dela que foi censurado numa exposição aqui. Foi uma forma de censura.
Fiz um trabalho chamado “Exorcizando a Igreja”, onde coloquei nas grandes portas da Judsom Memorial Church de NY mais de 800 paginas da bíblia em espanhol com imagens da inquisição. Mas o padre da igreja ainda me pediu para o projeto ficar o mês todo, pois estava previsto ficar somente 3 dias.

Em NY há incentivo e apoio a arte publica. Fui convidada por Judith Molina do Living Theater para apresentar e experimentar meu laboratório de arte com o publico, e este experimento já foi considerado um dos projetos mais experimentais em arte underground da cidade. Artistas precisam de solo fértil e grandes desafios para desenvolverem suas idéias e lá é local onde se encontram milhares de artistas das mais diferentes nacionalidades, culturas e experiências. Uma verdadeira babel. Mas para mim os artistas brasileiros e latinos são tão bons ou melhores quanto qualquer outro artista de qualquer parte do mundo.

RNM: Segundo a sua experiência, quais rumos deveria tomar um artista para conseguir expressar, dar a conhecer e viver do seu trabalho no mundo de hoje, na era post-industrial?

AV: Acho que só trabalhando “consciência e ação”. Uma das principais frases que todo artista tem que meter na cabeça e “só tem poder aquilo que você faz ter poder”, então primeiro destrua os seus mitos, acredite que você e tão bom quanto qualquer um, principalmente os artistas internacionais. Mas não queira ser um deles, queira ser você, porque você e único.

Coletive-se, junte-se com seus amigos críticos, curadores, galeristas ou o que for e invente seu sistema de arte em paralelo. Faça laboratórios e, acima de tudo, arrisque, experimente, experimente, experimente ... Não queira que seu trabalho seja renegado a um produto ou mercadoria para satisfazer um mercado, queira desafiar todos os parâmetros, lógicas e possibilidades. Preste atenção no seu processo e no processo de outros artistas sempre.
Com meu laboratório criei uma frase que acho que sintetiza muito bem o que estou tentando falar: “arte para mim não e mais a celebração de individualidades, mas comunhão de únicos “.

RNM: O que acha da iniciativa da Oi, de apoiar forte e concretamente a arte?

A Oi e o Oi Futuro estão dando oportunidades e espaços para um grande numero de artistas das mais variadas áreas. Os centros culturais são um dos poucos lugares no Rio de Janeiro que apostam na arte e tecnologia, além de incentivar e documentar, através de publicações, as trajetórias destes artistas.

Click aqui, para conhecer o site de Adriana Varella.

16.7.09

Rio no Mapa Entre-vistA :: Fala MOTTILAA, o artista convidado pela Galeria Circulante de Arte Carioca

Nosso amigo e colaborador Artur Kjá aproveitou um raro momento de pausa do Ilustrador, Designer e Artista Gráfico Fellipe Motta, artista convidado dessa edição da Galeria de Arte Circulante, e fez algumas perguntinhas para ele. Leia e inspire-se!




Kjá - Você é designer, artista, performancer, grafiteiro, skateboarder... Fala aí: de onde sai tanta energia e tempo pra isso? Como é o seu dia-a-dia criativo?

Motta - Pela manhã tomo uma gemada batida com energético. Meu dia consiste em ir pro Petit Pois Studio, trabalhar, trabalhar e trabalhar. Às vezes, quando dá tempo, trabalho mais um pouco.
Kjá - Quando e como seus desenhos saíram do papel e foram para as paredes, cadeiras e vidros? Tem alguma diferença no conteúdo das ruas para o do papel? Busca passar alguma mensagem?

Motta - Comecei a pintar na rua com o pessoal do FleshBeck há 7 anos atrás, acho... Eles me pilharam a colocar meus desenhos nas ruas e eu abracei! Sempre que eu pinto na rua, procuro me preocupar com o impacto visual que aquilo vai causar. Mas não sou grafiteiro, pinto de
vez enquando só. Acaba que cada mídia pede um aproveitamento. Sobre a mensagem, eu curto sempre satirizar, ter alguma sacada... Quase nunca meu trabalho é estética por estética. Sempre termina tendo um toque de humor.
Kjá - Atualmente quais projetos você está tocando?

Motta - Tô junto com a Mari (Cersosimo), minha esposa e sócia, no Petit Pois Studio e tocando a carreira de arte junto. Tô escrevendo pro blog SneakersBR, fazendo material novo pro blog do ABARRÉTA e preparando o disco do Cara de Cavalo, entre outros...

Kjá - O Rio te inspira? Como?

Motta - É só sair na rua e olhar em volta. Quanto mais pra longe se vai, melhor. Focar só na zona sul, Ipanema, Leblon, é uma balela! Copacabana mesmo é sempre deixada de lado nessas buscas por gente e coisas estilosas. É muito fácil ser estiloso coma grana, quero ver é ter estilo durango kid! Então, quanto pra mais longe se vai, mais difícil a coisa fica e mais criativo tem que ser. Isso me inspira muito: as soluções pra driblar as faltas. Isso é a cara do Brasil.

Kjá - Fora a necessidade do ‘capital’, desenha pra quê?

Motta - Desenho pra minha mão não cair! hahaha

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Conheça muitos outros trabalhos do Fellipe Motta AKA Mottilaa em seus links:

http://www.petitpoisstudio.com.br/blog
http://www.mottamobil.com.br/blog

E preste mais atenção aos seus grafites nas ruas do Rio!